Algumas reflexões acerca do logotipo do ano vocacional

Com relação ao aspecto formal, a imagem remete a algo dinâmico, que se movimenta e impulsiona o olhar. As linhas curvas e a progressão de cores deixam o desenho leve e muito rápido, de fácil visualização e que não prende o olhar em somente um ponto, mas o faz percorrer todo o desenho como o movimento das ondas.


O trabalho das cores partiu de algumas pressuposições, primeiro algo que fosse nosso, brasileiro, por isso as velas coloridas com as cores da bandeira, algo que remete também ao passado do dito "descobrimento". Agora, o nosso chão é convocado, chamado a ir, até mesmo às terras de onde muitos de nossos ancestrais vieram, para refazer o convite de seguimento de Jesus Cristo, no nosso caso, ao modo franciscano como bem mostra o tau na vela central.


O tau que é o símbolo por excelência que remete o imaginário popular ao franciscanismo e a toda carga de experiência ligada com a natureza e o amor para com a Terra e as criaturas, mas vamos além, vamos até a radicalidade da experiência vocacional de Francisco de Assis.
Assim a imagem nos remete ao tema da vocação-missão muito trabalhado no texto base desse III Congresso Vocacional, que será objeto de estudo durante este ano por toda a equipe do SAV e das EVP´s.


Um olhar sobre as partes
As velas: a escolha pela ordem das cores partiu da associação do amarelo como a cor que remete a realeza, ao sol, a algo precioso e por isso maior e em destaque. Essa vela remete ao Cristo, a força que move nosso trabalho, ao Mestre de quem seguimos os passos (Mt 10,38). São velas cheias, velas que são impulsionadas com vigor, com a força do Espírito do Senhor e seu Santo modo de operar; Ele que não faz acepção de pessoas, mas tem na diversidade (I Cor 12,4-7) - aí os tamanhos e formas diferentes - sua maior riqueza para a Igreja de Jesus Cristo e para o mundo. Como referência remota há o tema dos discípulos de Emaús e sua clássica cena do partir o pão e o Cristo entre os dois discípulos (Lc 24,13-35).
As ondas e o barco: aqui uma idéia que surgiu ao mergulhar na dimensão batismal da vocação, retomando algo importante do II Congresso Vocacional, o batismo como fonte e origem de toda vocação (Jo 17, 19). Depois o desenho faz menção sobre o mar e o barco sob a mesma representação, remete ao chamado de sermos "um com Deus" mas sem que isso seja uma perca de identidade, por isso temos três traços, três ondas que tem como ponto inicial a mesma origem: a Trindade.
São inúmeras as passagens bíblicas que tratam do tema do mar e mais tantas que nos relatam o barco, seus desafios, seu modo ante o agitado mar da vida, a experiência do desconhecido, a fé do porto seguro, a voz do Mestre que acalma o mar (Mt 8,23-27), que olha as ondas com a graça de um filho de Deus.

Ainda assim não basta...

Bem... que o texto aqui, meio que jogado, não limite a visão ao que ele acena, mas seja um impulso e uma provocação para que cada um faça sua experiência diante dessa imagens e do espírito que a move para marcar este ano vocacional de nossa província.

Que bons ventos nos levem,
a fazer a vontade de Deus!

 

Paz e Bem
Frei Lúcio
frade menor e palhaço
com a Graça de Deus